A história que a Music escreveu para as imagens que se seguem de José Saramago:
O meu nome é Gibril e vou contar-vos o que me aconteceu, quando tinha oito anos.
Nessa altura, via o mundo pequeno, porque também eu era pequeno. Seguia o meu pai para todo o lado e tentava imitá-lo. Se ele plantava sementes, eu plantava berlindes. Se ele cortava flores, eu arrancava as pequenas folhas dessas flores. Quando fosse grande, queria ser lavrador como ele.
Um dia, segui o meu pai até aos montes, fora da aldeia. Ele parou ao pé de uma árvore e de uma flor. Fechem os olhos e imaginem uma árvore e uma flor ao lado uma da outra, felizes e sorridentes. Imaginaram? Um, dois e três! Agora, vou continuar a minha história.
O meu pai arrancou a árvore e colocou-a na carrinha. Estive tentado a arrancar a flor, mas vi, no chão, um escaravelho atarefado e pensei que se o meu pai levava a árvore, então eu podia levar este bichinho para casa. Trazia comigo uma caixa com uns buracos e zás! meti o escaravelho lá dentro. Para ser verdadeiro com vocês, já andava preparado com aquela caixa, há alguns dias, porque numa destas saídas observara com atenção formigas e outros insectos que me pareciam ser bons companheiros para a brincadeira.
Durante o caminho, o escaravelho gritou qualquer coisa como isto:
“Raio do puto! Deixa-me sair daqui! Não quero ser teu amigo! Tenho asas, não vês? Achas que posso ficar aqui fechado? Se tenho asas são para voar!”
Quando cheguei a casa, abri a caixa devagarinho para espreitar o desgraçado que desatara aos pulos. Num abrir e fechar de olhos, o escaravelho voou com quantas asas tinha. Corri atrás dele, subi a um escadote colado ao muro do quintal e lá ia o bicho em direcção à floresta a deitar-me a língua de fora:
“Ih, ih, ih, pensas que tenho asas para ficar a olhar os teus lindos dentes?”
Não me dei por vencido. A floresta era perigosa, o rio era perigoso diziam os meus pais e a gente da aldeia. Olhei o mundo de areia e solidão à minha frente, ao longe, uma mancha verde, e saltei o muro. Segui o escaravelho, tropecei, caí. Ele jurava a asas juntas que se não o apanhasse rezaria todas as noites uma oração antes de adormecer. Há lá coisa mais bonita que um amigo voador? Um amigo que falava? Entendia-o melhor a ele do que às pessoas crescidas que julgavam sempre que sabiam tudo. Por exemplo, o padeiro nem para mim olhava, nem um bolo de arroz me oferecia. O leiteiro olhava-me de lado sempre à espera de me apanhar com a boca numa das suas garrafas de leite! Os vizinhos estavam sempre a dar-me sopapos nas costas… cresce rapaz, cresce rapaz! Mas cresce o quê?
Atravessei o rio por cima de uma árvore-ponte e, agora, imaginem outra paisagem (sim, fechem os olhos): uma floresta verde com árvores gigantes, flores, mariposas, pássaros coros de chilreios, folhas e folhas por onde a brisa de um vento suave vibrava. Conseguiram? Era aí que eu estava! Na floresta perigosa! Era tudo tão agradável! Os cheiros. Os sons. As cores. As flores macias. O perigo é mau. Aquela floresta era boa.
Continuei a correr, mas não atrás do meu amigo. Corria, porque era bom correr e ver coisas que nunca tinha visto. A floresta acabou e dei de caras com um sol quente luminoso que me atrapalhou a visão. Estava no monte onde moravam a árvore que o meu pai arrancara e a flor. A flor ainda lá estava, sozinha, com as pétalas a tocarem o chão seco como um pão de duas semanas. Tinha sede. Talvez estivesse triste por estar só. Lembrei-me do rio. Corri e passei pelo meu amigo que estagnou de medo.
“Pareces um foguete! Se tivesses asas, estava bem arranjado! Ah! Agora não me ligas? Grande amigo que tu me saíste! Ufa! Também não quero ser teu amigo para viver prisioneiro numa caixa!”
Com as minhas mãos feitas concha carreguei água e deixei-a cair na terra junto aos pés da flor. Ela olhou-me e vi um sorriso nas suas pétalas brancas. Mesmo assim, estava com aquele ar triste de quem não tem amigos. Corri vezes sem conta com água nas mãos e reguei-a até o seu caule se erguer e a tristeza desaparecer do seu rosto de pétalas.
Cansado, deitei-me na sua sombra. Ela ofereceu-me uma das suas pétalas e colocou-a sobre mim como um lençol de seda. Adormeci. Acordei ao som das vozes dos meus pais que me perguntavam o que tinha acontecido. Contei-lhes tudo tintim por tintim. Pedi-lhes para me acompanharem todos os dias até à flor, minha amiga, para lhe dar água e miminhos. Os amigos precisam de miminhos, não é verdade? E assim se passou uma semana…
No entanto, algo de estranho aconteceu. A flor cresceu e cresceu de tal maneira que se via dos quatro cantos da aldeia. Nunca ninguém houvera visto uma flor tão alta, tão cheia de vida! E ninguém sabia explicar a razão de ser a maior flor do mundo.
Cá para mim, foi a alegria que a fez crescer tanto assim. Talvez a minha amizade. Julgo que ela cresceu por tudo isto, mas, sobretudo, para conseguir ver a sua amiga árvore que o meu pai plantara no nosso jardim.
Depois deste acontecimento, não quis mais ser lavrador e resolvi ser poeta. Sabem o que faço? Brinco com as palavras, escrevo-as em folhas de papel como as pétalas da minha amiga. Observo com amor o mundo à minha volta e respeito todos os seres vivos.
Ah! O escaravelho refilão? Tornou-se o meu maior amigo. Cada vez que ia ao monte regar a flor, conversávamos pelo caminho e despedíamo-nos “adeus, até amanhã!”
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
Onde é que tu estavas no 25 de Abril?
E no 11 de Março?
E no 36 de Setembro da parte da manhã?
E o Salazar, o Capitalismo e a CEE?
E no 36 de Setembro da parte da manhã?
E o Salazar, o Capitalismo e a CEE?
quarta-feira, abril 23, 2008
Maldoror
terça-feira, abril 22, 2008
Birthday Party
Então e o concerto de Nick Cave ontem teve momentos destes?
Junkyard
E destes?
Nick, the Stripper
Não?!!... Que seca, então!
Junkyard
E destes?
Nick, the Stripper
Não?!!... Que seca, então!
segunda-feira, abril 21, 2008
sexta-feira, abril 18, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
Boca Amarga Cabaret
terça-feira, abril 15, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
Patty e A Maior Flor do Mundo
Finalmente chegou até nós a primeira história completa para o vídeo d'A Maior Flor do Mundo! Foi a Patty, uma corajosa UD, quem escreveu a primeira história infantil.
Usufruam! Ainda por cima a Patty escreveu a história em espanhol, o que só por si me surpreendeu e deu ainda mais vontade de ler, pois não me tinha passado essa ideia pela cabeça!
Espero que vos encoraje a escreverem também a vossa história infantil para este vídeo. Volto a publicá-lo em seguida junto à história da Patty para irem acompanhando.
Usufruam! Ainda por cima a Patty escreveu a história em espanhol, o que só por si me surpreendeu e deu ainda mais vontade de ler, pois não me tinha passado essa ideia pela cabeça!
Espero que vos encoraje a escreverem também a vossa história infantil para este vídeo. Volto a publicá-lo em seguida junto à história da Patty para irem acompanhando.
quinta-feira, abril 10, 2008
quarta-feira, abril 09, 2008
The Hives
Hoje no Coliseu de Lisboa, apresentação do "The Black and White Album".
The Hives - Walk Idiot Walk
E já que os últimos posts foram referentes a similaridades criativas entre bandas (sim, similaridades criativas), aqui ficam os progenitores dos The Hives há quase 30 anos:
Wire - The 15th [live]
The Hives - Walk Idiot Walk
E já que os últimos posts foram referentes a similaridades criativas entre bandas (sim, similaridades criativas), aqui ficam os progenitores dos The Hives há quase 30 anos:
Wire - The 15th [live]
terça-feira, abril 08, 2008
Arte cinética
É certo que o Homem tem tendência para a criação e a construção. Eu própria fui fascinada a certa altura por criar e ver crescer seja o que for... No entanto, encontrei por acaso algo que me fez lembrar o porquê de muitos de nós gostarem ainda mais da desconstrução, às vezes confundida com destruição.
Andava eu a procurar informação sobre um senhor que faz esculturas cinéticas absolutamente geniais e inqualificáveis, Theo Jansen, quando descubro uma demonstração da arte cinética de Tim Fort e fico fascinada... qual de nós não tentou em pequeno fazer um brilharete destes para a família com peças de dominó?!
Como preparação para o que à partida parece um vídeo monótono e desinteressante, dou-vos um bocadinho de música dos The Bravery, Honest Mistake, de cujo vídeo me lembrei logo por andar precisamente à volta da arte cinética:
Andava eu a procurar informação sobre um senhor que faz esculturas cinéticas absolutamente geniais e inqualificáveis, Theo Jansen, quando descubro uma demonstração da arte cinética de Tim Fort e fico fascinada... qual de nós não tentou em pequeno fazer um brilharete destes para a família com peças de dominó?!
Como preparação para o que à partida parece um vídeo monótono e desinteressante, dou-vos um bocadinho de música dos The Bravery, Honest Mistake, de cujo vídeo me lembrei logo por andar precisamente à volta da arte cinética:
segunda-feira, abril 07, 2008
The Last Shadow Puppets
Aqui está o novo vício e esperança, The Last Shadow Puppets, com The Age of the Understatement, o novo projecto de Alex Turner dos Arctic Monkeys e Miles Kane (The Rascals), com orquestrações de Owen Pallett (Final Fantasy/Arcade Fire)!
... E sempre que ouço isto lembro-me da Jackie do Scott Walker...
Já agora, fica aqui uma grande cover da Jackie pelos malucos BCN!!!...
... E sempre que ouço isto lembro-me da Jackie do Scott Walker...
Já agora, fica aqui uma grande cover da Jackie pelos malucos BCN!!!...
sexta-feira, abril 04, 2008
Don't Look Too Far
If I begin to feel lighter
Hold me down
And I’ll be yours for evermore
God bless this mess I’m in
For it is time
To be rid of a certain sin
A cool breeze down my spine
And if I’m really here
Then I feel fine
A freelance child
You bring it all back
This world is eating me inside
Don’t look too far
Missing a degree of warmth
A name without a face
I’m loosing grip all the same
I sever the line that divides
I sever the feelings inside
I sever between you and me
And I want to learn to fly
Bring the pain right back again
Is this all there is of me
Hearts and minds, find the time
That in the end there was
No possible reason for anything
John Douglas
Hold me down
And I’ll be yours for evermore
God bless this mess I’m in
For it is time
To be rid of a certain sin
A cool breeze down my spine
And if I’m really here
Then I feel fine
A freelance child
You bring it all back
This world is eating me inside
Don’t look too far
Missing a degree of warmth
A name without a face
I’m loosing grip all the same
I sever the line that divides
I sever the feelings inside
I sever between you and me
And I want to learn to fly
Bring the pain right back again
Is this all there is of me
Hearts and minds, find the time
That in the end there was
No possible reason for anything
John Douglas
quinta-feira, abril 03, 2008
Carolina Michaëlis VS Battle Royale

Se forem professores, especialmente se exercerem na Carolina Michaëlis do Porto, experimentem mostrar só este trailer aos vossos alunos... como quem não quer a coisa... só como warm-up de uma aula sobre cinema! Talvez eles percebam a mensagem!
Já agora, se não forem muito susceptíveis e acharem que aqui pode estar a solução, sugiro uma parte do filme onde são explicadas as regras do jogo:
Se virem o filme vão perceber que tudo começou numa cena idêntica a esta:
quarta-feira, abril 02, 2008
A Maior Flor do Mundo - Saramago
Quero deixar um desafio a todos que, ao contrário do que se queixa José Saramago neste mini-filme, sejam capazes de criar uma história simples e bonita para ser contada a crianças. As imagens estão no filme que se segue, só precisam das vossas palavras. Atrevam-se...
Para o Manel que teve faringite e para a sua mãe, uma vez que até são parecidos com as personagens da história.
Para o Manel que teve faringite e para a sua mãe, uma vez que até são parecidos com as personagens da história.
terça-feira, abril 01, 2008
April Fools
Como não podia deixar de ser, tinha que publicar algo relacionado com o dia das mentiras. Como não gosto de mentir, nem tenho jeito, achei que este vídeo seria o indicado.
Não é um vídeo com boa imagem, mas se vos fizer espécie ide ao youtube ver.
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