sábado, março 08, 2008


A redacção do Expresso da Meia-Noite (eu) está num curso de Bordado e Ponto-Cruz. Por este mesmo motivo esta semana, à semelhança da anterior e da próxima, não haverá posts nem Expresso da Meia Noite.

sexta-feira, março 07, 2008

Vasco Granja - The Gift



Os The Gift tocam hoje em Alcobaça e mereciam uma presença urbano-depressiva, não?

quinta-feira, março 06, 2008

Censura aceitável?

Este vídeo afasta-se um pouco da temática urbano-depressiva, mas quis partilhá-lo aqui por ser já alvo de polémica, apesar de ter acabado de nascer. O vídeo é do primeiro single, Run, do novo álbum dos Gnarls Barkley ainda por sair, The Odd Couple. O vídeo foi censurado por vários canais de televisão (MTV, etc.) por não ter passado nos testes de epilepsia. Supostamente o vídeo pode provocar ataques epilépticos, portanto, se sofrem de epilepsia é melhor não verem, pelo sim pelo não...
Aos outros, vejam lá se os efeitos de strobes são assim tão fortes.

quarta-feira, março 05, 2008

Maternidade vs Paternidade

Frida Kahlo

«Sozinho no quarto, Ângelo admirava-se de nada sofrer. Ouvia, ao lado, sua mulher gemer, mas não podia apertar-lhe as mãos porque ela o ameaçava com o revólver. Preferia gritar sem ninguém ao pé, pois odiava a sua enorme barriga e não queria que a vissem naquele estado. Ia para dois meses que Ângelo ali estava sozinho, à espera que aquilo terminasse; e meditava em ínfimos assuntos. Também andava frequentemente à roda, por ter lido, em reportagens, que os prisioneiros andam à roda, como animais, mas que animais seriam? Dormia e tentava dormir, a pensar no rabo da mulher, pois, dada a barriga que tinha, preferia pensar nela de costas. Noite sim, noite não, acordava em sobressalto. O mal, em geral, já estava feito, e não era mesmo nada satisfatório.
Os passos de Jaimemorto ressoaram pelas escadas acima. Ao mesmo tempo, pararam os gritos da mulher e Ângelo sentiu-se varado de espanto. Aproximando-se de mansinho da porta, tentou ver, mas o pé da cama tapava tudo e, assim, torceu dolorosamente o olho direito sem resultados apreciáveis. Ergueu-se e apurou o ouvido, para ninguém em especial.»


O Arranca Corações, Boris Vian

terça-feira, março 04, 2008

Across the Universe

Já que estamos numa de covers, cá vão mais duas. Desta vez peço-vos para escolherem a vossa preferida. Dou-vos duas opções de escolha (apesar de existirem muitas mais deste tema) e no final está o original. Pensem bem...


Rufus Wainwright


Fiona Apple


Beatles

segunda-feira, março 03, 2008

Arctic Monkeys * Shirley Bassey

Os Arctic Monkeys venceram os prémios do New Musical Express de melhor banda britânica, melhor canção com «Fluorescent Adolescent» e melhor vídeo com «Teddy Picker».
Parecem-me prémios merecidos (à excepção de melhor vídeo). Tenho até a sensação que o senhor Alex Turner (vocalista) vai longe e estou à espera de ouvir o álbum a solo que acabou de gravar e que sairá no próximo ano.
Enquanto esperamos deixo-vos uma cover que considero brilhante!



A inspiração:

sábado, março 01, 2008

Feromona

Desalento

Não tenho jeito p'ra gerir o património
Nem sou pessoa p'ra aderir ao matrimónio
Tenho uma voz que é mediana e tenho sonhos
Mas sem maneira de atingir dias risonhos
Não tenho os pés no chão mas tenho fantasias
Coisas concretas não conheço e tenho dias
Em que a maneira de acordar é com lamentos
Pois se adormeço com um vazio nos sentimentos

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer

Não tive a sorte de ter tido algum juízo
Tive o azar de ser fadado ao prejuízo
Andei perdido e confiei nas impressões
Mas sei agora o que é errar nas previsões
Fintei por vezes o destino que era doce
Olhei o umbigo e imaginei algo que fosse
Uma grandeza p'ra mim feita por medida
Mas a esperança um dia caiu perdida

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer


Falhei nas contas que fiz p'ra posteridade
Pois usei números que apurei na puberdade
Não criei lendas mas menti e por castigo
Já poucos crêem nas verdades que hoje digo
Não tenho pressa de chegar a sítio algum
Olho o futuro e não vejo lugar nenhum
Onde as certezas que aprendi tenham um preço
E as coisas certas que eu vivi lá no começo
Tenham valor


Esta é o poema-letra de uma das músicas que mais me surpreendeu nos últimos tempos. É dos Feromona e ontem dei por mim a sorrir de espanto e entendimento ao ouvi-los tocar este tema.
O álbum sai dia 8 de Março e haverá festa de lançamento (onde lamentavelmente não poderei estar) na Fábrica da Pólvora.

Ontem também foi dia de fábrica, mas desta feita a de Braço de Prata. Os concertos de Feromona parecem estar fadados a não acontecer. Há umas semanas sofremos uma frustração por o concerto ter sido cancelado, e qual não foi o nosso espanto quando ontem chegámos à Fábrica e ninguém lá no sítio sabia a que concerto nos referiamos... Apesar de termos que nos deitar cedo esta noite, fincámos pé e não saimos de lá enquanto não os vimos tocar.

Entretanto tivemos o nosso concerto particular quando um dos nossos UDs se acerca do piano e nos faz viajar para longe durante algum tempo até a sede se apoderar dele e preferir voltar ao bar... Se os Feromona não tocassem a noite estava ganha por este momento!

Os pobres Feromona tiveram que esperar que uma banda de jazz (por sinal bastante apelativa, pelo que nos foi dado ouvir nos momentos em que ainda iamos ao corredor fumar, aliás, arejar!) acabasse de tocar para subirem ao palco. O que é certo é que o concerto estava agendado para as 23 horas e começou depois das 2 horas da manhã!

Que lição tirámos desta espera? Que vale a pena esperar se for por este trio desfalcado! Foi um concerto simples mas muito mágico, acolhedor e intenso! Desfalcado porquê? Porque o baterista, Marco Armés, foi vítima de violência bairro-altista que o deixou com uma clavícula partida, não podendo tocar, pelo que o concerto foi acústico com o baixista, Bernardo Barata, e o guitarrista/vocalista Diego Armés. Inusitadamente apareceu o Marquês de Borba ao piano, mas escapou-se-me dos ouvidos...

Confesso que temi pelo concerto que aí vinha e creio que o Bernardo Barata também tinha os seus temores pois disse mais de várias vezes que se iriam "espalhar ao comprido"! Coisa que não aconteceu! Até a tentativa falhada de porem o público a tocar e fazer barulho com os pés para substituir a bateria acabou por ser um momento cheio de humor e folia! - E por falar em folia, os coros de Bernardo Barata na cover de Mão Morta, Budapeste, foram hilariantes!

O concerto foi único, eles são excelentes pessoas, bons músicos, o Bernardo Barata tem bom sentido de humor, e têm um poeta a escrever as letras, Diego Armés! Os Feromona chamaram-me inicialmente a atenção pelas letras e só depois pela música em si. O Diego brinca com as palavras de tal forma que é capaz de fazer frente a um Jorge Palma ou até mesmo a um Sérgio Godinho, só precisa de viver mais!

Não quero também deixar de dizer que há quem o compare a Manel Cruz de Ornatos Violeta (também achei que poderia ter influências) mas em momento algum durante o concerto me lembrei do Cruz, o que me leva a crer que quem faz essa comparação nunca viu Feromona ao vivo!

Vejam assim que possam - é a banda revelação (para mim). Aguardo pelo álbum e por um concerto sem Marquês de Borba e com Marco Armés na bateria, apesar de este acústico ter sido inesquecível!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Noite de sexta-feira a oriente


Feromona na Fábrica Braço de Prata. E pelos mesmos lados, no Lux mais propriamente, Wraygunn.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Richard Hawley - Valentine

Recebi algunmas queixas por causa da alegria que imperava ontem neste blog devido à vinda de Beirut a Portugal.
Não se preocupem, urbano-depressivos, para voltarmos a ficar tristes basta relembrar que no passado sábado não estivemos presentes no concerto de Richard Hawley em Santa Maria da Feira!

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Beirut - Sines - Lisboa

Com esta catadupa de notícias de concertos para este ano é natural que eu já esteja confusa. Voltamos portanto a noticiar a vinda da nossa mais recente paixão musical, Beirut, a Portugal. De manhã rebentou a notícia de que eles viriam tocar dia 27 de Julho ao Coliseu de Lisboa. Agora já será nesse dia mas em Local a Confirmar (que a meu ver é uma grande sala de concertos, mas eu até preferia a Aula Magna). O melhor de tudo, é que três dias antes - dia 24 de Julho para quem não é bom com números - Zach Condon e companhia actuarão no Festival Músicas do Mundo no Castelo de Sines!! Como tal, sei que este deve ser o 4.º vídeo de Beirut neste blog, mas a ocasião é para comemorar e não resisto.