segunda-feira, março 10, 2008

Xploding Plastix - Joy Comes In The Morning

Para começar bem uma segunda-feira de manhã...

domingo, março 09, 2008

Maldoror


Imperdível. Está dito!

sábado, março 08, 2008

Feromona VS Mão Morta

Para quem se encontra por Lisboa, a sugestão urbano-depressiva indica que devem rumar a Barcarena, mais propriamente à Fábrica da Pólvora para assistirem a um concerto/festa de lançamento do álbum dos Feromona (finalmente!!!)

Para assinalar este momento especial cá vai mais uma letra de um tema deles:

As Unhas

Crava bem fundo as unhas
Concentra-te e faz explodir
Tudo o que o dia deu se amontoa
Nesta hora de dormir

Vai debaixo do tapete a ver se eu chego
Vai à janela espreitar se o mundo está
Verás sangue e verás medo e é aí que eu estou
O teu príncipe imperfeito a destruir tudo o que é dor

E se isto tudo te faz tanto sentido
E se eu definhar no quarto sem amor
Vai à janela gritar que o mundo acabou
O teu príncipe imperfeito aniquilou todo o esplendor

Crava bem fundo as unhas
Concentra-te e faz explodir
Tudo o que o dia deu se amontoa
Nesta hora de dormir
A faca na mão
Materna tua mão
O sangue nas mãos e a
Faca no chão

Se os teus olhos dizem que eu estou vivo ainda
Dentro em breve serei só recordação
Vai p’rá cama, deixa que os sonhos façam de mim
O teu príncipe encantado em vez de um fraco chegado ao fim



Para quem se encontra mais a norte (o caso de alguns de nós este fim-de-semana), o alerta vermelho tem o seu vértice no Teatro Viriato em Viseu onde os Mão Morta apresentam o espectáculo Maldoror, espectáculo este baseado no livro Os Cantos de Maldoror de Isidore Ducasse, Conde de Lautréamont. Impossível fazer qualquer previsão do que irá acontecer nesta noite.

Dependendo do estado de espírito com que sairmos deste concerto/encenação, talvez Maldoror nos leve até ao Baile dos Vampiros do Fantasporto para pormos em prática alguns dos terrores que esta temerosa personagem nos ensinará...

Excertos dos Cantos de Maldoror:

Maldoror foi bom nos seus primeiros anos, em que viveu feliz; está dito. Reparou depois que tinha nascido mau: fatalidade extraordinária! [...] até que, não podendo mais suportar tal vida, se atirou resolutamente para a carreira do mal... doce atmosfera!

[...]

Há os que escrevem para procurar os aplausos humanos, por meio de nobres qualidades que a imaginação inventa ou que até podem ter. Eu não, uso o meu génio para pintar as delícias da crueldade!

[...]

Fiz um pacto com a prostituição para semear a desordem nas famílias.

[...]

[...] em todos os séculos o homem se julgou belo. Por mim, creio antes que o homem só por amor-próprio acredita na sua beleza, mas que não é belo de verdade, e o suspeita; se não, porque olha ele com tanto desprezo o rosto do semelhante?

[...]

A mim mesmo perguntei por vezes que seria mais fácil de conhecer: a profundidade do oceano ou a profundidade do coração humano?

[...]

A minha poesia não consistirá senão em atacar por todos os meios o animal feroz que é o homem, e o Criador, que nunca deveria ter engendrado semelhante escória.

[...]

Não experimentei com este assassínio tanto prazer como se poderia julgar; e isso precisamente porque estava saciado de matar, e já o fazia agora por simples hábito, sem o qual não se pode passar, mas que provoca apenas um ligeiro gozo.

[...]

Recebi a vida como um ferimento, e não deixei que o suicídio sarasse a cicatriz.

A redacção do Expresso da Meia-Noite (eu) está num curso de Bordado e Ponto-Cruz. Por este mesmo motivo esta semana, à semelhança da anterior e da próxima, não haverá posts nem Expresso da Meia Noite.

sexta-feira, março 07, 2008

Vasco Granja - The Gift



Os The Gift tocam hoje em Alcobaça e mereciam uma presença urbano-depressiva, não?

quinta-feira, março 06, 2008

Censura aceitável?

Este vídeo afasta-se um pouco da temática urbano-depressiva, mas quis partilhá-lo aqui por ser já alvo de polémica, apesar de ter acabado de nascer. O vídeo é do primeiro single, Run, do novo álbum dos Gnarls Barkley ainda por sair, The Odd Couple. O vídeo foi censurado por vários canais de televisão (MTV, etc.) por não ter passado nos testes de epilepsia. Supostamente o vídeo pode provocar ataques epilépticos, portanto, se sofrem de epilepsia é melhor não verem, pelo sim pelo não...
Aos outros, vejam lá se os efeitos de strobes são assim tão fortes.

quarta-feira, março 05, 2008

Maternidade vs Paternidade

Frida Kahlo

«Sozinho no quarto, Ângelo admirava-se de nada sofrer. Ouvia, ao lado, sua mulher gemer, mas não podia apertar-lhe as mãos porque ela o ameaçava com o revólver. Preferia gritar sem ninguém ao pé, pois odiava a sua enorme barriga e não queria que a vissem naquele estado. Ia para dois meses que Ângelo ali estava sozinho, à espera que aquilo terminasse; e meditava em ínfimos assuntos. Também andava frequentemente à roda, por ter lido, em reportagens, que os prisioneiros andam à roda, como animais, mas que animais seriam? Dormia e tentava dormir, a pensar no rabo da mulher, pois, dada a barriga que tinha, preferia pensar nela de costas. Noite sim, noite não, acordava em sobressalto. O mal, em geral, já estava feito, e não era mesmo nada satisfatório.
Os passos de Jaimemorto ressoaram pelas escadas acima. Ao mesmo tempo, pararam os gritos da mulher e Ângelo sentiu-se varado de espanto. Aproximando-se de mansinho da porta, tentou ver, mas o pé da cama tapava tudo e, assim, torceu dolorosamente o olho direito sem resultados apreciáveis. Ergueu-se e apurou o ouvido, para ninguém em especial.»


O Arranca Corações, Boris Vian

terça-feira, março 04, 2008

Across the Universe

Já que estamos numa de covers, cá vão mais duas. Desta vez peço-vos para escolherem a vossa preferida. Dou-vos duas opções de escolha (apesar de existirem muitas mais deste tema) e no final está o original. Pensem bem...


Rufus Wainwright


Fiona Apple


Beatles

segunda-feira, março 03, 2008

Arctic Monkeys * Shirley Bassey

Os Arctic Monkeys venceram os prémios do New Musical Express de melhor banda britânica, melhor canção com «Fluorescent Adolescent» e melhor vídeo com «Teddy Picker».
Parecem-me prémios merecidos (à excepção de melhor vídeo). Tenho até a sensação que o senhor Alex Turner (vocalista) vai longe e estou à espera de ouvir o álbum a solo que acabou de gravar e que sairá no próximo ano.
Enquanto esperamos deixo-vos uma cover que considero brilhante!



A inspiração:

sábado, março 01, 2008

Feromona

Desalento

Não tenho jeito p'ra gerir o património
Nem sou pessoa p'ra aderir ao matrimónio
Tenho uma voz que é mediana e tenho sonhos
Mas sem maneira de atingir dias risonhos
Não tenho os pés no chão mas tenho fantasias
Coisas concretas não conheço e tenho dias
Em que a maneira de acordar é com lamentos
Pois se adormeço com um vazio nos sentimentos

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer

Não tive a sorte de ter tido algum juízo
Tive o azar de ser fadado ao prejuízo
Andei perdido e confiei nas impressões
Mas sei agora o que é errar nas previsões
Fintei por vezes o destino que era doce
Olhei o umbigo e imaginei algo que fosse
Uma grandeza p'ra mim feita por medida
Mas a esperança um dia caiu perdida

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer


Falhei nas contas que fiz p'ra posteridade
Pois usei números que apurei na puberdade
Não criei lendas mas menti e por castigo
Já poucos crêem nas verdades que hoje digo
Não tenho pressa de chegar a sítio algum
Olho o futuro e não vejo lugar nenhum
Onde as certezas que aprendi tenham um preço
E as coisas certas que eu vivi lá no começo
Tenham valor


Esta é o poema-letra de uma das músicas que mais me surpreendeu nos últimos tempos. É dos Feromona e ontem dei por mim a sorrir de espanto e entendimento ao ouvi-los tocar este tema.
O álbum sai dia 8 de Março e haverá festa de lançamento (onde lamentavelmente não poderei estar) na Fábrica da Pólvora.

Ontem também foi dia de fábrica, mas desta feita a de Braço de Prata. Os concertos de Feromona parecem estar fadados a não acontecer. Há umas semanas sofremos uma frustração por o concerto ter sido cancelado, e qual não foi o nosso espanto quando ontem chegámos à Fábrica e ninguém lá no sítio sabia a que concerto nos referiamos... Apesar de termos que nos deitar cedo esta noite, fincámos pé e não saimos de lá enquanto não os vimos tocar.

Entretanto tivemos o nosso concerto particular quando um dos nossos UDs se acerca do piano e nos faz viajar para longe durante algum tempo até a sede se apoderar dele e preferir voltar ao bar... Se os Feromona não tocassem a noite estava ganha por este momento!

Os pobres Feromona tiveram que esperar que uma banda de jazz (por sinal bastante apelativa, pelo que nos foi dado ouvir nos momentos em que ainda iamos ao corredor fumar, aliás, arejar!) acabasse de tocar para subirem ao palco. O que é certo é que o concerto estava agendado para as 23 horas e começou depois das 2 horas da manhã!

Que lição tirámos desta espera? Que vale a pena esperar se for por este trio desfalcado! Foi um concerto simples mas muito mágico, acolhedor e intenso! Desfalcado porquê? Porque o baterista, Marco Armés, foi vítima de violência bairro-altista que o deixou com uma clavícula partida, não podendo tocar, pelo que o concerto foi acústico com o baixista, Bernardo Barata, e o guitarrista/vocalista Diego Armés. Inusitadamente apareceu o Marquês de Borba ao piano, mas escapou-se-me dos ouvidos...

Confesso que temi pelo concerto que aí vinha e creio que o Bernardo Barata também tinha os seus temores pois disse mais de várias vezes que se iriam "espalhar ao comprido"! Coisa que não aconteceu! Até a tentativa falhada de porem o público a tocar e fazer barulho com os pés para substituir a bateria acabou por ser um momento cheio de humor e folia! - E por falar em folia, os coros de Bernardo Barata na cover de Mão Morta, Budapeste, foram hilariantes!

O concerto foi único, eles são excelentes pessoas, bons músicos, o Bernardo Barata tem bom sentido de humor, e têm um poeta a escrever as letras, Diego Armés! Os Feromona chamaram-me inicialmente a atenção pelas letras e só depois pela música em si. O Diego brinca com as palavras de tal forma que é capaz de fazer frente a um Jorge Palma ou até mesmo a um Sérgio Godinho, só precisa de viver mais!

Não quero também deixar de dizer que há quem o compare a Manel Cruz de Ornatos Violeta (também achei que poderia ter influências) mas em momento algum durante o concerto me lembrei do Cruz, o que me leva a crer que quem faz essa comparação nunca viu Feromona ao vivo!

Vejam assim que possam - é a banda revelação (para mim). Aguardo pelo álbum e por um concerto sem Marquês de Borba e com Marco Armés na bateria, apesar de este acústico ter sido inesquecível!